Nada mais precioso do que o riso
e o desprezo - Rir e soltar-se
é prova de força. Ser cruel
despreocupada mente.
A tragédia é o que "o homem" tem de
mais ridículo mas estou certa de que
os animais sofrem,
embora não exibam seus "sofrimentos"
em "teatros" abertos nem
"fechados" (seus lares).
e sua dor é mais real
do que qualquer imagem
que o homem possa
representar ou experimentar
como dolorosa. ____________
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domingo, 8 de novembro de 2009
quarta-feira, 4 de novembro de 2009
Preciso de Trampo
Luiza Haddad Moreira Lima
Brasileira, solteira, 18 anos
Rua Galvão Bueno, .........
Liberdade - São Paulo – SP
Telefone: (13) ....perdi..../ E-mail: luhsfc@gmail.com
FORMAÇÃO
· Graduanda do curso de Ciências Sociais, da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo.
EXPERIÊNCIA PROFISSIONAL
· Experiência com recepção de eventos no porto de Santos-SP, organizados Secretaria de Eventos da Prefeitura Municipal de Santos.
. Participou da organização/staff do sétimo Curta Santos (incentivo à realizãção de curtas-metragens para cineastas de poucos recursos)
· Assistente de câmera do curta metragem Magma, gravado em São Paulo em Maio de 2009.
· Fotografou como modelo de biquíni.
· Foi atleta de voleibol da Confederação Brasileira de Vôlei e da Federação Paulista de Vôlei nos anos de 2004, 2006 e 2007, competindo pelo Clube Internacional de Regatas, representando a cidade de Santos.
. atleta de voleibol do Santos Futebol Clube em 2005.
. Vivência no caixa do bar Pôca Farinha, quando tive que lavar pratos por não pagar a conta devidamente.
QUALIFICAÇÕES E ATIVIDADES PROFISSIONAIS
· Inglês – Intermediário (compreende bem, escreve razoável, fala bem, lê bem).
· Espanhol – Intermediário (lê bem, compreende bem, escreve pouco, fala pouco).
. A apreender: Italiano, francês, norueguês, aramaico. e chinês. e russo.
· Experiência no exterior – Residiu na Cidade do Cabo, África do Sul, por dois meses, onde cursou inglês na LAU e depois viajou para perto de Moçambique.
· Habilidade para digitação, transcrição....
. Pretende cursar espanhol na Guatemala, em breve, nos planos desde 2007.
INFORMAÇÕES ADICIONAIS
· Premiado com o título de Aluno Destaque – Menção Honrosa (2003)
. Premiada como Atleta destaque duas vezes (Clube Internacional de Regatas, 2005 e Copa Geni Pardossi, no Guaru já, em 2006)
· Disponibilidade para mudança de cidade ou estado ou país ou bairro ou sistema.
Brasileira, solteira, 18 anos
Rua Galvão Bueno, .........
Liberdade - São Paulo – SP
Telefone: (13) ....perdi..../ E-mail: luhsfc@gmail.com
FORMAÇÃO
· Graduanda do curso de Ciências Sociais, da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo.
EXPERIÊNCIA PROFISSIONAL
· Experiência com recepção de eventos no porto de Santos-SP, organizados Secretaria de Eventos da Prefeitura Municipal de Santos.
. Participou da organização/staff do sétimo Curta Santos (incentivo à realizãção de curtas-metragens para cineastas de poucos recursos)
· Assistente de câmera do curta metragem Magma, gravado em São Paulo em Maio de 2009.
· Fotografou como modelo de biquíni.
· Foi atleta de voleibol da Confederação Brasileira de Vôlei e da Federação Paulista de Vôlei nos anos de 2004, 2006 e 2007, competindo pelo Clube Internacional de Regatas, representando a cidade de Santos.
. atleta de voleibol do Santos Futebol Clube em 2005.
. Vivência no caixa do bar Pôca Farinha, quando tive que lavar pratos por não pagar a conta devidamente.
QUALIFICAÇÕES E ATIVIDADES PROFISSIONAIS
· Inglês – Intermediário (compreende bem, escreve razoável, fala bem, lê bem).
· Espanhol – Intermediário (lê bem, compreende bem, escreve pouco, fala pouco).
. A apreender: Italiano, francês, norueguês, aramaico. e chinês. e russo.
· Experiência no exterior – Residiu na Cidade do Cabo, África do Sul, por dois meses, onde cursou inglês na LAU e depois viajou para perto de Moçambique.
· Habilidade para digitação, transcrição....
. Pretende cursar espanhol na Guatemala, em breve, nos planos desde 2007.
INFORMAÇÕES ADICIONAIS
· Premiado com o título de Aluno Destaque – Menção Honrosa (2003)
. Premiada como Atleta destaque duas vezes (Clube Internacional de Regatas, 2005 e Copa Geni Pardossi, no Guaru já, em 2006)
· Disponibilidade para mudança de cidade ou estado ou país ou bairro ou sistema.
segunda-feira, 26 de outubro de 2009
TEORIA x PRÁTICA

Os venenos da mente são divididos em três categorias principais:
I) apego ou desejo - prisão física ou psiquica a pessoas, objetos e fenômenos.
II) raiva - não querer, rejeitar, afastar algo de você.
III) ignorância - não ter uma noção clara da vida, não compreender o significado das coisas que te rodeiam.
os venenos da mente agem de maneira interdependente. quando não temos uma visão clara do que nos rodeia, nos apegamos a certas coisas que, quando não as conseguimos, criamos aversão e ficamos com raiva. esses venenos agem como toxinas, criando energias mentais negativas. tais energias são expressas em palavras, ações e pensamentos, causando um sofrimento cíclico em cadeia que se repete infinitamente.
Mantra das 100 sílabas da mente admantina
Om Benza Sato Samaya /
Manupalaya /
Benza Sato Tenopa /
Tishta Dri Do Me Bhawa /
Suto Kayo Me Bhawa /
Anurakto Me Bhawa /
Supo Kayo Me Bhawa /
Sarwa Siddhi Memtrayatsa /
Sarwa Karma Sutsa Me /
Tsitam Shri Ya Kuru Hung /
Ha Ha Ha Ha Ho Bhagawaen /
Sarwa Tathagata /
Benza Ma Me Muntsa Benzi Bhawa Maha Samaya Sato Ah.
(ajuda a dissolver os venenos da mente)
veja: o mundo de mantraman, nos favoritos.
segunda-feira, 19 de outubro de 2009
ESTÃO CHEGANDO...
é, a música do meu pesadelo é estão chegandooo os calculistaaas
os calculistas esão chegandooooo
cheguei à essa conclusão hoje, exatamente às quatro e quinze da tarde, quando olhei para o relógio do ceééu. calculistas são o lixo humano, não se pode conviver com eles. aaai eu tenho nojo deles! nojo! acho que vou formar um grupo de maledicência para aloprar essa raça suja. é difícil mesmo hoje em dia achar algum lugar onde eu possa fumar meu cigarro em paz e ouvir um arranhão de guitarra sem tomar uma facada. isso me deixa louca, essa insegurança toda, desconfiança... veja só, eu estava a fumar uns picas com os meus na praia e sabe como é aqui é o CREME né e em santos a galere é consciente disso, lá é o CRIME. sem kaô desnecessário. num é que a noia da vez foi: DISFARCE??????????????? disfarce é uma bela puta que te pariu, eu cansei desse fluxuz intenso sabe, não tô afim mais dessa falação toda, mas que merda! vou pegar cada escrito teu e analisar frase por frase, frase por frase, fra-se-por-fra-se e ver os sentidos que saeeeeeeeeeeeeeem, aaaaaaah aquele anel formado!!!! aquele anel formadooo!!! legal né, legal, muito legal, agora me explica como que faz pra chegar naquela rua que eu me esqueci o nome, já que o sentido pertence a ti e não a mim. e sabe, lá estava eu de novo naquele lugar verde. porra luiza, tu não tem uma descrição melhor não? um lugar verde. é, lá é um lugar verde pra mim, se você quiser eu arrumo outros - castelinho de pedra, feudo ideológico, prisão, playgraund, oráculo, prostíbulo, sanatório, galeria, templo... foda-se. não sabia o que ainda me prendia lá além da nicotina. vício é uma merda, mas eu gosto tanto. você pode se viciar em certas coisas e estar em certos lugares SÓ apegado a ELAS. tipo, pratique o desapego se viciando, faz tooodo o sentido. mas nada disso importa á, vou abrir a porta á, pra você entrar, beijarminhabcaatémematardeamor.

de acordo com a vanguarda CUBISTASSURREALISTA:
adota-se uma escrita automática onde o que se valoriza é a reprodução direta das imagens aleatórias que surgem na mente de quem escreve, manifestando a arte inconsciente. [rel]ação direta (gozei!) entre Pensamento&Palavra, sem a barreira da racionalidade. fornece-se uma imagem múltipla dos objetos, onde eles são colocados sobre vários pontos de vista, retratando a desintegração da realidade, por meio da simultaneidade de estórias (várias cenas antes correlatadas) e do instantaneísmo (retratos fulgazes de cenas do cotidiano). a enumeração é caótica - adota-se a descrição do ambiente a partir de uma sucessão de elementos a ele pertencentes, sem referências delineadas. rolam vários dados e quem le reconhece aquilo que tá dentro dele próprio, pouco tem a ver com quem escreve. é a desvinculação enunciador-enunciado, é a tranvalorização fluída dos valores. a la jaques derrida, ja expliquei isso...
domingo, 18 de outubro de 2009
TEMPO, TEMPO, TEMPO, TEMPO
certos esclarecimentos jamais sairão da conversa paralela daqueles olhos repetidos e desesperados. aliás, vejamos que os cantos continuam cheios de conversas, digníssimo eu diria, já que a gente não consegue finalizar ou concluir nenhuma das nossas, de jeito nenhum... eu só queria dizer que a minha desordem vem do desespero. a minha desordem vem como súplica, como desejo, como busca incessante e como paixão muitas vezes. a gente buscou esclarecimento nas noites insones e só achou sonhos. quem sabe um dia você tenha acordado sem me avisar? não sei... eu não queria ter acordado, mas não teve jeito... perdi meu celular, não tenho como me despertar [ó céus]. é, mas então, a vida passa. e você bagunçou tudo e eu não tenho nada pra colocar no lugar das suas ideologias perdidas, quebradas, mutantes!!! eu não tenho nada!!! desculpa, quem sabe a próxima venha como oração. afinal, aos messiânicos tudo é pussiver... e dá-lhe leonardo boff [a águia e a galinha] e paulo freire...
esse negócio de pedagogia, mêo, ai... TÔ DE BOA.
esse negócio de pedagogia, mêo, ai... TÔ DE BOA.
sábado, 3 de outubro de 2009
METALINGUAGEM
minha poesia
não é de prática
minha poesia vem
do vento
lá de dentro
tocando o advento
minha poesia não é
um coro
tão pouco espera receber
louro
minha poesia vem do meu
devaneio mais
louco
sem jogo, sem cara ou coroa ou
lado inverso
apenas dá as caras quando
brota sem lugar algum
vem como súplica
como ferimento
ou um adeus,
meu alimento
me faz escuro
me faz claro
me faz sentimento
me faz sentidor
minha poesia canta
minha poesia lança
dança, pega, mata e come
chora, grita, corre,
adoece e morre.
minha poesia flore
até aqueles lá
mais distantes
meus domínios indomáveis
fere e adere
a todos os meus sentidos
antes esquecidos
minha poesia fura o verso
cai do baixo
sai do faixo
baixio das bestas
sente saudade
dos meus contos,
dos meus cantos,
dos meus encantos
antes esquecidos
agora enraivecidos
apodrecidos
ao meu pranto parecidos
minhas tristezas, minhas avarezas
todas as minhas correntezas
pudera
minha poesia
é meu cárcere
é meu cálice
é também meu cale-se
minha poesia
é meu ar
é meu mar
de se armar
de amor
de dor
ou ardor
minha poesia
aquela lá que me libertou
do chão me tirou
comigo para longe voou
até aterrizar
devolta a ela mesma
minha poesia é meu lar
que a cada amanhecer
me faz órfã
a fim de que eu a encontre
e nos seus braços possa
correr e
morrer
viver, esquecer
libertá-la para, junto com ela
parar e
saltar
"num altar
onde a gente celebre
tudo o que se consentiu"
minha poesia tão pouco
busca o verso certo
ou espera encontrar
a paz depois de escrita
minha poesia tem vida própria
prosopopéia lírica
sai de mim
na hora em que pra ela alvorece
passeia por aí e
até me esquece
mas ela sempre volta.
a gente sempre torna
aos braços
uma da outra
como se então não houvesse
desencontro
desencanto
desalento
minha poesia não é minha
mnha poesia é da espera
por ela mesma
minha poesia é dela própria
e eu que sou sua eterna apaixonada
tantas vezes traída
muitas mais amada
minha poesia nunca teve dono
minha poesia é inquieta
sai de mim na hora que
ela mesmo quer
e encontra logo algo onde
possa então se realizar
e sua realização é simples:
é apenas sua existência
ela basta-se por si só
é por isso que
não encontra resistência
mas, haja paciência!
quando ela some
as horas me corroem
os tempos me enlouquecem
os soares me ensurdecem
meus dizeres me calam
é minha grande agonia
afoita ou desesperada
não adianta em nada
ela só aparece quando quer
só ressoa onde der
não importando o que se fizer.
não é de prática
minha poesia vem
do vento
lá de dentro
tocando o advento
minha poesia não é
um coro
tão pouco espera receber
louro
minha poesia vem do meu
devaneio mais
louco
sem jogo, sem cara ou coroa ou
lado inverso
apenas dá as caras quando
brota sem lugar algum
vem como súplica
como ferimento
ou um adeus,
meu alimento
me faz escuro
me faz claro
me faz sentimento
me faz sentidor
minha poesia canta
minha poesia lança
dança, pega, mata e come
chora, grita, corre,
adoece e morre.
minha poesia flore
até aqueles lá
mais distantes
meus domínios indomáveis
fere e adere
a todos os meus sentidos
antes esquecidos
minha poesia fura o verso
cai do baixo
sai do faixo
baixio das bestas
sente saudade
dos meus contos,
dos meus cantos,
dos meus encantos
antes esquecidos
agora enraivecidos
apodrecidos
ao meu pranto parecidos
minhas tristezas, minhas avarezas
todas as minhas correntezas
pudera
minha poesia
é meu cárcere
é meu cálice
é também meu cale-se
minha poesia
é meu ar
é meu mar
de se armar
de amor
de dor
ou ardor
minha poesia
aquela lá que me libertou
do chão me tirou
comigo para longe voou
até aterrizar
devolta a ela mesma
minha poesia é meu lar
que a cada amanhecer
me faz órfã
a fim de que eu a encontre
e nos seus braços possa
correr e
morrer
viver, esquecer
libertá-la para, junto com ela
parar e
saltar
"num altar
onde a gente celebre
tudo o que se consentiu"
minha poesia tão pouco
busca o verso certo
ou espera encontrar
a paz depois de escrita
minha poesia tem vida própria
prosopopéia lírica
sai de mim
na hora em que pra ela alvorece
passeia por aí e
até me esquece
mas ela sempre volta.
a gente sempre torna
aos braços
uma da outra
como se então não houvesse
desencontro
desencanto
desalento
minha poesia não é minha
mnha poesia é da espera
por ela mesma
minha poesia é dela própria
e eu que sou sua eterna apaixonada
tantas vezes traída
muitas mais amada
minha poesia nunca teve dono
minha poesia é inquieta
sai de mim na hora que
ela mesmo quer
e encontra logo algo onde
possa então se realizar
e sua realização é simples:
é apenas sua existência
ela basta-se por si só
é por isso que
não encontra resistência
mas, haja paciência!
quando ela some
as horas me corroem
os tempos me enlouquecem
os soares me ensurdecem
meus dizeres me calam
é minha grande agonia
afoita ou desesperada
não adianta em nada
ela só aparece quando quer
só ressoa onde der
não importando o que se fizer.
O OUTRO
como decifrar pictogramas de há dez mil anos
se nem sei decifrar
minha escrita interior?
interrogo signos dúbios
e suas variações caleidoscópicas
a cada segundo de observação.
a verdade essencial
é o desconhecido que me habita
e a cada amanhecer me dá um soco.
por ele sou também observado
com carinho ou incompreensão
e assim vive-se, se ao confronto se chama viver,
unidos, impossibilitados de desligamento,
acomodados, adversos,
roídos de infernal curiosidade.
(série ? adaptando corpo do CDA
bom, viu? nada como o modernismo?
pior que é...)
se nem sei decifrar
minha escrita interior?
interrogo signos dúbios
e suas variações caleidoscópicas
a cada segundo de observação.
a verdade essencial
é o desconhecido que me habita
e a cada amanhecer me dá um soco.
por ele sou também observado
com carinho ou incompreensão
e assim vive-se, se ao confronto se chama viver,
unidos, impossibilitados de desligamento,
acomodados, adversos,
roídos de infernal curiosidade.
(série ? adaptando corpo do CDA
bom, viu? nada como o modernismo?
pior que é...)
segunda-feira, 21 de setembro de 2009
domingo, 20 de setembro de 2009
uma mulher que falou na língua das borboletas
ainda amanhecia e eu lembrava da menina que falava a língua das borboletas. ela batia seu anel na mesa, abriam-se universos diante daquele soar mais grave que o de suas unhas, amigas cósmicas, que quando atritadas soltavam um perfume noturno, que só se abria na noite, no escuro ou na ausência do feixe de luz, meu amigo de antigos amores, daqueles que saem por entre as nuvens e provocam encontros casuais do estilo "eu faria tudo para vê-lo de novo diante daquele alvorecer". e a gente andava sozinhas, na solitária companhia uma da outra, nos dando tão bem como convém ao deus e ao poeta. a gente lembrava daquele filme de início de partida, a gente sonhava, a gente cantava, na verdade eu pouco me lembrava, não sei com o que preencheram meus lápsos derradeiros de uma memória esquecida. eu o pintaria de amarelo, mas acho que meu antigo cigano de aguns poucos anos atrás jogou preto neles e assim o transformou em um quadro ridículo, digno de um porão, de um calabouço ou de um cala a boca enorme, do tamanho da enamorada butanesa que eu achei naquelas imagens esbranquiçadas de um dia atrás. e era assim: ela adormecia sem perceber, fechava os olhos de maneira triste, abaixava a cabeça e deixava seus cabelos oleosos o tomarem a cara. e escondia-se. até o dia que eu recostei meus dedos em seu queixo, levantei seu rosto e vi seus olhos. choravam silenciosos. depois acordavam afoitos, gosto muito de você leãozinho, rodopiavam e recortavam coisas por aí, sem parar pra pensar muito. depois se arrependia e chorava ao mesmo instante em que salivava. ela me faz uma falta enorme. com ela eu aprendi que quando se enfia no meio do mato, a flor morre e a gente se perde. depois daquela noite eu voltei e me atirei na cama, de bruços. recebi um bilhete estranho, que me envergonhou, ainda mais por saber do pecado em dose dupla. e é polícia ainda. e conseguia me atingir, falando a língua das borboletas, em antigos blocos de pedra. é, que nem moisés. quando eu acordei daquilo, eu caí no pesadelo? ou será que eu acordei do sonho? será que tornei a me torturar? sabe de uma coisa? os dedos que batem, a velha carne fria que não digita nada, hoje apodrece amarelada.
um amarelo manga pra nossa primeira noite de amor.
aliás, se eu pudesse voltar pras primeiras noites de amor, eu não mudaria nada. eu viveria elas novamente, quantas vezes fosse preciso, pra lembrar daquele gosto novo. cuja única definição não faria a menos diferença. e não importa o nome deles. pra mim A, pra você B, é tudo questão de metaforazinhas, não? não! pouco me importam as definições. "Se soubéssemos, não falaríamos nem tampouco pensaríamos", mas depois de mordida, essa gente vai até o talo e a gente se enrosca.
um amarelo manga pra nossa primeira noite de amor.
aliás, se eu pudesse voltar pras primeiras noites de amor, eu não mudaria nada. eu viveria elas novamente, quantas vezes fosse preciso, pra lembrar daquele gosto novo. cuja única definição não faria a menos diferença. e não importa o nome deles. pra mim A, pra você B, é tudo questão de metaforazinhas, não? não! pouco me importam as definições. "Se soubéssemos, não falaríamos nem tampouco pensaríamos", mas depois de mordida, essa gente vai até o talo e a gente se enrosca.
“A verdade e a mentira. (...) ansiosos de saber, felizes demais por ignorar, procuramos, no que é um remédio ao que não é; e no que não é, um alivio para o que é. Ora o real, ora a ilusão nos recolhe; e a alma em definitivo, não tem outros meios exceto o verdadeiro, que é sua arma – e a mentira sua armadura...”
Paul Valéry
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sábado, 19 de setembro de 2009
Gozar das leis
A ironia e o humor
Não se trataria apenas de duas perversões distintas, mas de duas lógicas completamente diferentes na constituição do objeto do desejo e na relação à lei moral. Essas duas lógicas são descritas por Deleuze por meio de uma associação que se mostrará plena de consequências. Ela consiste em afirmar que, no interior do sadismo, encontramos uma lógica que o associa à ironia, isso enquanto o masoquismo seria a encarnação mais evidente do humor. A princípio, essas associações podem parecer gratuitas.
No entanto, elas consistem em dizer que uma perversão não é simplesmente a descrição de alguma forma de desvio em relação a um padrão de conduta sexual socialmente partilhado. Ela é uma maneira de distorcer uma lei moral da qual o próprio perverso reconhece a existência. Neste sentido, Deleuze poderá dizer que, dada uma lei que reconhecemos, há duas maneiras de não a seguir.
A primeira é através da ironia. Deleuze pode afirmar isso por lembrar do conceito romântico de ironia, onde este aparece como uma posição na qual o sujeito sempre está para além de seus enunciados. Enunciar uma lei de maneira irônica significa mostrar que seu enunciador não está lá onde seu dizer aponta. Esse recurso a um lugar transcendente seria uma maneira de evidenciar que sigo um princípio para além da lei que enuncio.
Todo o esforço de Deleuze no livro será mostrar como a posição de Sade [escritor francês, 1740-1814] em relação à lei moral pode ser compreendida a partir desse esquema.
A segunda seria através do humor. O humor visaria torcer a lei por meio do aprofundamento de suas consequências.
Não colocamos nenhum princípio de significação para além da lei moral. Mas os efeitos da lei são invertidos devido à possibilidade de torções nas designações: “a mais estrita aplicação da lei tem o efeito oposto a este que normalmente esperávamos (por exemplo, os golpes de chicote, longe de punir ou prevenir uma ereção, a provocam, a asseguram)”. Isto é Deleuze falando de Sacher-Masoch, este mesmo Sacher-Masoch em quem o filósofo vê uma insolência por obsequiosidade, uma revolta por submissão.
A paródia do desejo
Essa maneira de torcer a lei fará Deleuze insistir em que só podemos compreender o masoquismo por meio de conceitos como a paródia. Mas, para além da descrição de uma perversão, Deleuze age como quem acredita que por meio do humor, da paródia, da passividade simulada, abre-se uma possibilidade de desdobrar a relação com o desejo, com a lei talvez mais próxima de nossa situação contemporânea. Só não esperávamos nos descobrir todos contemporâneos de Sacher-Masoch.
V. S.
Não se trataria apenas de duas perversões distintas, mas de duas lógicas completamente diferentes na constituição do objeto do desejo e na relação à lei moral. Essas duas lógicas são descritas por Deleuze por meio de uma associação que se mostrará plena de consequências. Ela consiste em afirmar que, no interior do sadismo, encontramos uma lógica que o associa à ironia, isso enquanto o masoquismo seria a encarnação mais evidente do humor. A princípio, essas associações podem parecer gratuitas.
No entanto, elas consistem em dizer que uma perversão não é simplesmente a descrição de alguma forma de desvio em relação a um padrão de conduta sexual socialmente partilhado. Ela é uma maneira de distorcer uma lei moral da qual o próprio perverso reconhece a existência. Neste sentido, Deleuze poderá dizer que, dada uma lei que reconhecemos, há duas maneiras de não a seguir.
A primeira é através da ironia. Deleuze pode afirmar isso por lembrar do conceito romântico de ironia, onde este aparece como uma posição na qual o sujeito sempre está para além de seus enunciados. Enunciar uma lei de maneira irônica significa mostrar que seu enunciador não está lá onde seu dizer aponta. Esse recurso a um lugar transcendente seria uma maneira de evidenciar que sigo um princípio para além da lei que enuncio.
Todo o esforço de Deleuze no livro será mostrar como a posição de Sade [escritor francês, 1740-1814] em relação à lei moral pode ser compreendida a partir desse esquema.
A segunda seria através do humor. O humor visaria torcer a lei por meio do aprofundamento de suas consequências.
Não colocamos nenhum princípio de significação para além da lei moral. Mas os efeitos da lei são invertidos devido à possibilidade de torções nas designações: “a mais estrita aplicação da lei tem o efeito oposto a este que normalmente esperávamos (por exemplo, os golpes de chicote, longe de punir ou prevenir uma ereção, a provocam, a asseguram)”. Isto é Deleuze falando de Sacher-Masoch, este mesmo Sacher-Masoch em quem o filósofo vê uma insolência por obsequiosidade, uma revolta por submissão.
A paródia do desejo
Essa maneira de torcer a lei fará Deleuze insistir em que só podemos compreender o masoquismo por meio de conceitos como a paródia. Mas, para além da descrição de uma perversão, Deleuze age como quem acredita que por meio do humor, da paródia, da passividade simulada, abre-se uma possibilidade de desdobrar a relação com o desejo, com a lei talvez mais próxima de nossa situação contemporânea. Só não esperávamos nos descobrir todos contemporâneos de Sacher-Masoch.
V. S.
domingo, 13 de setembro de 2009
RAÍZES - DOIS NUS NUM BOSQUE
sábado, 12 de setembro de 2009
Liberdade é bairro mas é como o japão fosse!
with a little help from ma frends comece observando a lua e suas crateras distantes. depois você passa um pouco de gel no cabelo e espera chover. vc pode fazer chover também, caso queira, pouco aconselhável eu diria, mas conselho não serve pra quasenada, a não ser que venha de algum ancião chinês. quando estiver chovendo basante, mas bastante mesmo, de enxarcar o nariz e derreter o gel do cabelo você começa a massagear seu próprio céu da boca. depois coloque dead can dance no repeat. eu disse no repeat! agora pare e reflita: passe a ouvir os materialistas dialéticos insistentemente, até dizer chega. quando você estiver cansado de tanta Terra, de tanta tese, antitese, conclusão, ciênciamalditacarnedosincomíveis, passe a ouvir os misticamente (in)coerentes, se afaste um pouco dessa materialidade coesa e ordeira, anarcocromatize-se!
I've seen the eyes of living dead, i'm telling you ma only frend, the end.
quando você achar que já se elevou o bastante para olhar tua cara no espelho e achar teus olhos fe-no-me-nais, você ouve um jazz de coltrane, eu disse col-tra-ne, mas pode ser charlie parker, e tome uns whiskys para comemorar tamanha evolução humana. compondo então mapas e, ao invés de signos, traços.
depois estufe a barriga até o
aaaaaalto
que tudo que soooobe
d
e
e
e
s
c
e
e a força vai vem tchum êta sobe e desce!
depois durma em paz
pedidos ou preces viram cera quente
lembre-se do seu estômago,
dos seus pés
e esqueça.
I've seen the eyes of living dead, i'm telling you ma only frend, the end.
quando você achar que já se elevou o bastante para olhar tua cara no espelho e achar teus olhos fe-no-me-nais, você ouve um jazz de coltrane, eu disse col-tra-ne, mas pode ser charlie parker, e tome uns whiskys para comemorar tamanha evolução humana. compondo então mapas e, ao invés de signos, traços.
depois estufe a barriga até o
aaaaaalto
que tudo que soooobe
d
e
e
e
s
c
e
e a força vai vem tchum êta sobe e desce!
depois durma em paz
pedidos ou preces viram cera quente
lembre-se do seu estômago,
dos seus pés
e esqueça.
sábado, 29 de agosto de 2009
- EI, CARAS, VOCÊS TOCAM PRA CARALHO!
o olhar insistente à procura da chegada, ouvido turvo e cansado a ouvir a rota sendo costurada - próxima estação: Consolação. enquanto portas se abrem, há sensação trêmula de pés que não mais pisam - seguem. próxima estação: Clínicas. a cara no vidro, um corpo, um reflexo, fundidos àquela montoeira prata que vai pingar. as barrigas agora confundidas em filas, à inércia do vácuo torto. ou os olhos da mulher devorando a confusão das páginas de maneira distante, a sair com os pés do pedal e pouco recurvar os olhos enquanto mais um mascava aflitamente, roia as unhas e ajeitava as gravatas. uns olhando pra fora (fora de quê?), poucos aos olhos. São Joaquim lotada de devotos em plena seis da tarde, o cruel e azedo wrãsh. eu fico com poetas da Sumaré, nem alegres ou tristes, compondo porque o instante existe. e então ela fecha o livro, tira os óculos e os coloca no decote em vê, por entre os seios. paramos para esperar a movimentação do trem à frente - próxima estação: Vila Madalena. agora ela põe a mão no queixo e tira um vermelho cachecol da bolsa, o cinza da metrópole tortuoso e todos dopados... chegou. e a gente acende um cigarro. e esquecem. instantes tragados de tempo que passam de outro jeito, em pequenos traçozinhos ou fileirazinhas, queimando aos poucos e às brasas poluindo ou fundindo, tanto faz. em mais fila e mais gente, nenhuma boca, nenhum ouvido; tínhamos fones, cadernos ou livros. os mais ansiosos tremiam um bocado, a esvaziar as bolsas apressadamente, movimento contínuo e rápido, procurando o esquecimento, cigarro na boca e fogo ao gatilho - assim que portas se abrem. e esquecem. tragados instantes e eu já não aguentava mais, roia as unhas, enrolava o cabelo, apreciava cada gota de suor dos porcos a escorrer-lhes o pescoço e molhar-lhes o colarinho, ou escorrer-lhe ao queixo, pingando no peito. inevitável. pensei em correr, portas fechadas, carros muitos carrancas mostrando os dentes. olhavam a fumaça do carrinho do milho subir lentamente até o cinza máximo, a manteiga derretendo e os vidros entre eu e o desejo e uma lembrança salivante. pessoal, esse aqui é expresso, se alguém quiser parar no meio do caminho deve pegar o Rio Pequeno, esse auqi vai direto e só pára na Cidade Universitária. ê, lendários. agora o tempo suava, soando em pequenas luminosidades, feito luzinhas de natal ou vermelhinhas feito aquelas dos tênis infantis. pisa-e-acende. tudo inspirador, lendário ou parasita. na verdade? ah, tanto faz. sonho duplex 25998221. luz natalina, dos sapatos ou incontáveis janelas e antenas, faróis, lanternas automotivas. tanto faz. tudo soa parecido - TíC TáC. massagem tântrica com olhos aromáticos 25698745. um cão frágil já tinha os olhos ardentes e agulhas o espetavam por todos os lados, lados todos todos todos. era agulha que não acabava mais. o que já tinha acabado de vez era a minha paciência. eu não podia esperar nem mais um minuto. nem mais um segundo a esconstar o braço naquela lateral metálica e fria, nem mais um instante a encostar a cabeça naquele vidro fosco ou olhar aquelas luzes insistentes, muito menos a sentar naquele assento quente e pinicante. e não podia acender e esquecer. vó maria consultas búzios e tarot 25693587.
quinta-feira, 13 de agosto de 2009
citando
"corra, não pare, não pense demais
repare essas velas no cais
que a vida é cigana
é caravana
é pedra de gelo ao sol
degelou teus olhos tão sós
num mar de água clara"
repare essas velas no cais
que a vida é cigana
é caravana
é pedra de gelo ao sol
degelou teus olhos tão sós
num mar de água clara"
quarta-feira, 12 de agosto de 2009
SÓ NÃO VIA O ROSTO
então quis que o personagem sumisse?
- venham cenários! venham cenários!
cenários vieram então. inúmeros. muitos. tantos. outros.
cenário atrás de cenário. cenário e mais cenário. canário.
bastidor atrás de bastidor? e agora?
sua mão direita toca minha esquerda. seu corpo é o oceano.
oceano sereno, oceano revolto, oceano solto, oceano sem fim.
de ondas traiçoeiras, de belas criaturas, misteriosas conjulturas.
conflui(ria) tamanha oscilação.
"quando eu virei alma sem lugar
foi do seu corpo e não do meu
que eu mais senti falta.
eu pensei que eu era você,
de tanta ausência sua.
e então me olhava no espelho
e só via a melancolia.
as pernas da melancolia,
braços, mãos, peitos,
a bunda da melancolia.
só não via o rosto.
a melancolia não tem rosto".
- venham cenários! venham cenários!
cenários vieram então. inúmeros. muitos. tantos. outros.
cenário atrás de cenário. cenário e mais cenário. canário.
bastidor atrás de bastidor? e agora?
sua mão direita toca minha esquerda. seu corpo é o oceano.
oceano sereno, oceano revolto, oceano solto, oceano sem fim.
de ondas traiçoeiras, de belas criaturas, misteriosas conjulturas.
conflui(ria) tamanha oscilação.
"quando eu virei alma sem lugar
foi do seu corpo e não do meu
que eu mais senti falta.
eu pensei que eu era você,
de tanta ausência sua.
e então me olhava no espelho
e só via a melancolia.
as pernas da melancolia,
braços, mãos, peitos,
a bunda da melancolia.
só não via o rosto.
a melancolia não tem rosto".
segunda-feira, 10 de agosto de 2009
OUTRAS NOTAS DE UMA ORELHA ESQUECIDA
se você vai ler pela primeira vez, eu o invejo. não é todos os dias que temos essa revelação, logo no primeiro encontro com tais versos. e digo-lhe mais: você vai encontra-lo em um de seus melhores momentos.
os elefantes são por definição mitológicos, não tivessem eles carregado o mundo no dorso durante tanto tempo. o autor é também um mito. não ficaria nada admirado se, depois de ler o livro, você me viesse com uma pequena decepção.
pode acontecer que você já tenha ouvido elogios a respeito do autor e queria saber qual que é. em primeiro lugar, não empregamos uma linguagem bárbara. em segundo, o autor é um dos melhores vivos do brasil, quem sabe do mundo. e por que ele é menos conhecido? por ser misterioso. ninguém sabe onde mora, ninguém o vê. sabemos que existe pois publicou algumas coisas e - eis o thebest - de tempos em tempos aguns privilegiados recebem folhetos seus pelo correio. quando isso acontece os privilegiados vão para um canto e saboreiam as páginas como quem lambe os beiços. depois pelas ruas trocam sinais misteriosos, cochicham, olham para o mundo de cima. se alguém pronunciar vampiro de pasárgada, é ele. especialmente se lhe falar em pasárgada. e se há uma no mapa com esse nome, é outra. pasárgada mesmo está todinha nele. com seus tarados e solteironas, botequins e casos escuros. alguns pasargadenses ficam orgulhosos quando lhes dizem que moram na capital do mundo. mas isso é um código que eles não entendem. na verdade, eles nem moram na pasárgada.
não se preocupe com as histórias. se elas não terminarem é porque os personagens regressaram à sua vida normal ou o autor não quis acompanhá-lo mais. todos vivos, a distância entre as páginas e a realidade é menor do que entre uma rua e outra. (cuidado com os alfinetes. eles podem espetar quando você menos espera. não dê dinheiro ao velho). o segredo da grandeza de um autor é esse: trazer o mundo para dentro, sem distorções, sem desidratar a realidade. viver já é em si uma coisa espantosa. manter-se é como empalhar o pássaro sem que ele deixe de cantar. que faz? não empalha.
nas estórias não encontrou grandes tragédias ou sujeitos exepcionais. quem sabe seja um mundo tão real que não seja captado para nós de hoje: sua obra é todo um ato de sobrevivência (uau auau miau!). sobrevivendo num tipo de linguagem, num tipo de vida, num tipo de morte. teria escolhido uma estrada simples? dos que têm algo a dizer?
elefantes morrem na solidão. e além de tromba e marfim, tem dias de circo e furor. no mais, são mediocres e pacíficos. não diferem muito de nós. para o autor, homens vivem florestazinha particular, um assombro. homens-animais que precisam de ternura, tortura, sonho, frustações e chocolate.
(adaptando diretamente da boca da orelha de "cemitério de elefantes")
os elefantes são por definição mitológicos, não tivessem eles carregado o mundo no dorso durante tanto tempo. o autor é também um mito. não ficaria nada admirado se, depois de ler o livro, você me viesse com uma pequena decepção.
pode acontecer que você já tenha ouvido elogios a respeito do autor e queria saber qual que é. em primeiro lugar, não empregamos uma linguagem bárbara. em segundo, o autor é um dos melhores vivos do brasil, quem sabe do mundo. e por que ele é menos conhecido? por ser misterioso. ninguém sabe onde mora, ninguém o vê. sabemos que existe pois publicou algumas coisas e - eis o thebest - de tempos em tempos aguns privilegiados recebem folhetos seus pelo correio. quando isso acontece os privilegiados vão para um canto e saboreiam as páginas como quem lambe os beiços. depois pelas ruas trocam sinais misteriosos, cochicham, olham para o mundo de cima. se alguém pronunciar vampiro de pasárgada, é ele. especialmente se lhe falar em pasárgada. e se há uma no mapa com esse nome, é outra. pasárgada mesmo está todinha nele. com seus tarados e solteironas, botequins e casos escuros. alguns pasargadenses ficam orgulhosos quando lhes dizem que moram na capital do mundo. mas isso é um código que eles não entendem. na verdade, eles nem moram na pasárgada.
não se preocupe com as histórias. se elas não terminarem é porque os personagens regressaram à sua vida normal ou o autor não quis acompanhá-lo mais. todos vivos, a distância entre as páginas e a realidade é menor do que entre uma rua e outra. (cuidado com os alfinetes. eles podem espetar quando você menos espera. não dê dinheiro ao velho). o segredo da grandeza de um autor é esse: trazer o mundo para dentro, sem distorções, sem desidratar a realidade. viver já é em si uma coisa espantosa. manter-se é como empalhar o pássaro sem que ele deixe de cantar. que faz? não empalha.
nas estórias não encontrou grandes tragédias ou sujeitos exepcionais. quem sabe seja um mundo tão real que não seja captado para nós de hoje: sua obra é todo um ato de sobrevivência (uau auau miau!). sobrevivendo num tipo de linguagem, num tipo de vida, num tipo de morte. teria escolhido uma estrada simples? dos que têm algo a dizer?
elefantes morrem na solidão. e além de tromba e marfim, tem dias de circo e furor. no mais, são mediocres e pacíficos. não diferem muito de nós. para o autor, homens vivem florestazinha particular, um assombro. homens-animais que precisam de ternura, tortura, sonho, frustações e chocolate.
(adaptando diretamente da boca da orelha de "cemitério de elefantes")
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domingo, 9 de agosto de 2009
pudera mesmo as passagens se sobressaissem ao anseio de pregar-se à cadeira e se lamentar, mas aos curiosos nada resta mesmo além da sala escura e do vazio na multidão. pudera os desejos sinceros e travestidos pudessem vir à tona delicadamente, mas eles vêm de sorrateira à espera do perdão. a associação não passou de um pesadelo que, entorpecida, tornou a tomar. porque não desiste e pensa que resiste, mas que na verdade tosse e exala felizmente algum cantinho qualquermente encantado. e mesmo que nu, ainda resta o que pensou ser encantos e o palavreado sincero de um admiravel mundo novo. ou o rostinho infeliz de alguma mágoa sutil e dócil. a pratica é assustadora e a ousadia também. otário o que fechou os olhos na primeira vez em que viu. ou deixou-se abalar pela linha tênue entre a ironia e o desejo. a mão que te estende são essas, palavras. livres, confusas. e tristes.
a verdade inimiga do conforto soube-se de primeira até que a serpente mostrou-lhe o caminho da maçã. confunda-me deus, pelos tremores conceituais que tornei a chorar. se só aqui que posso contar aqui resta. na espera de algum ouvido amigo. mas quando aparece, estremece. ou deixa-se levar. afoga-se, mergulha. entra para a verdade da mentira. ou pela porta dos fundos. ou pela caixa do correio. ou pela cara que lhe esbofeteia e coloca-te na realidade de que o que buscou foi ilusório. ou transitório. os otimistas ficam com o ultimo. e quando não se resta mais saída, a gente se conforma. ou reconhece que o jeito é tolerar, virtuosos os impotentes. tão imperiosas as vontades que nao pode-se satisfaze-las sozinho? hora essas que passam tao rapidamente que nem sente o que outrora julgou fazer-se então poderosa. e de peça em peça suou até escaldar-se de tão exausto, deitando em cima da montanha esclarecido então de que finalmente falava sozinho.
a verdade inimiga do conforto soube-se de primeira até que a serpente mostrou-lhe o caminho da maçã. confunda-me deus, pelos tremores conceituais que tornei a chorar. se só aqui que posso contar aqui resta. na espera de algum ouvido amigo. mas quando aparece, estremece. ou deixa-se levar. afoga-se, mergulha. entra para a verdade da mentira. ou pela porta dos fundos. ou pela caixa do correio. ou pela cara que lhe esbofeteia e coloca-te na realidade de que o que buscou foi ilusório. ou transitório. os otimistas ficam com o ultimo. e quando não se resta mais saída, a gente se conforma. ou reconhece que o jeito é tolerar, virtuosos os impotentes. tão imperiosas as vontades que nao pode-se satisfaze-las sozinho? hora essas que passam tao rapidamente que nem sente o que outrora julgou fazer-se então poderosa. e de peça em peça suou até escaldar-se de tão exausto, deitando em cima da montanha esclarecido então de que finalmente falava sozinho.
- é minha marca de poder, GATA.
- é a marca de uma maquiadora, cachorro..
- ele é... SENSACIONAL! mais veloz que um míssel, destroi grandes estruturas com sua visão térmica e seu suuuper latidoo!
hã?
agentes do homem de olho verde, eu aposto.
verdes verdes verdes
verde que te quero verde.
é tudo uma grande volta!
- é a marca de uma maquiadora, cachorro..
- ele é... SENSACIONAL! mais veloz que um míssel, destroi grandes estruturas com sua visão térmica e seu suuuper latidoo!
hã?
agentes do homem de olho verde, eu aposto.
verdes verdes verdes
verde que te quero verde.
é tudo uma grande volta!
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