sábado, 31 de outubro de 2009
peregrin ação!
eu queria estudar mas era impossivel. passava os olhos pelo montaréu e minha cabeça lá longe, apesar dos meus olhos fixos (costume, costume), e me vinham mil platôs, e miltons e nascimentos, esmeraldas de mautner, por mais que eu me concentrace o corpo da morena já começava a desenhar seus contornos por volta das páginas e eu não cnsegui a minha concentração, pensaria na praia, no verão, no ano novo, na minha cama quentinha e tão distante da onde eu tava, naquele de touca vermelha e três piercings na boca, de 12 anos de idade, ou na sua versão crescida, à margem do pior rolê santista. mas isso não faria diferença nenhuma, era madrugada de lua quase cheia, lembrava ela dos jardins, lembrava eu a sétima série, maldito dois mil e quatro. mas eu nao tava nem ai, isso nao faria diferença nenhuma.
quinta-feira, 29 de outubro de 2009
Time
um livro insuportável na estante. um quadro asqueroso na parede. uma panela repugnante. a pele com cheiros intragáveis. a proposta para uma viagem. a volta de outra. as cores, a magia e a necrofilia. o sono pertubado, as noites mal dormidas. meu pesadelo lúdico. gente desconhecida e caminhos absurdos. um ferimento, na cerne da alma. e no rosto. estirou-se de bruços, não faria mais nada. um bilhete estranho. rasgando todas as velhas páginas. rasgaria as cortinas, os sofás, a pele se deixasse. ia achar a resposta. tinham modificado o que tava escrito nos livros. queria tocar fogo na casa. não pôde. as memórias também se rasgaram. as lembranças, ainda mais. as imagens agora esbranquiçadas. tomadas pela amargura. mais alguém voltou de viagem, bom revê-lo. não saberia que seria pela última vez. alguém colocou coisa estranha no meu fumo. alguém jogou alguma coisa na minha bebida. minha visão tá turva, eu tô suando frio e alucinando, eu tô falando com as pessoas, mas o que ouço é a minha voz. esses caras do ônibus são inaceitáveis. tá tendo uma festa, em frente ao buddha. é um churrasco! um churrasco! eu não suporto mais isso. vou deletar tudo isso, sumir daqui, me mudar para pernambuco. não piso mais nesse lugar. nunca mais. e nunca mais pisou mesmo. no mesmo lugar? pf. eu vou abaixar a cabeça e fingir que não vi. eu não enchergo nada de óculos. ah! antônio das mortes! você é personagem real da ficção, é personagem imaginário... você? tem nome? valores abalados e gente que nunca mais verá. um romeu, um cisne negro. é. ainda me lembro bem, cinco maluco em volta da fogueira, é pra lá que eu vô. eu lembro de uma coisa: eles têm os olhos pretos. inteiramente pretos. soluçava sem parar. o filme lhe contava coisas absurdas. não tinha sentido todo aquele sentido. uma tatuagem molesta. mas corra, não pare, nem pense demais, repare essas velas no cais que a vida é cigana. minhas flores morreram. eu esvaziei uma garrafa de pinga e agora canto coisas sem sentido. é pedra de gelo ao sol. um ladrão. dois ladrões. degelou teus olhos tão sós, num mar de água clara. minhas coisas sumiram. eu sumi com as coisas do mundo. chega, quero dormir. não dá. tem gente estranha batendo na porta, preciso me esconder. quem é? um admirador nojento, um estuprador, um tarado. uma menina linda, também tarada. não, agora não. que horas são? tão parados, eu atirei suas pilhas para longe daqui. reze isso que passa. pedofilia! invasão. desilusão. só. fazem uns meses.

um tic-tac vai marcando cada momento de um dia morto e você gasta à toa e joga no lixo as horas, descontroladamente, perambulando de um lugar para outro em sua cidade
natal esperando por alguém ou alguma coisa que te mostre o caminho. cansado de tomar banho de sol, de ficar em casa vendo a chuva, você é jovem, a vida é longa, e há tempo para desperdiçar. até que um dia você descobre que perdeu a largada. e você corre e corre atrás do sol, mas ele está se pondo, fazendo a volta para nascer outra vez atrás de você. de uma maneira relativa o sol é o mesmo, mas você está mais velho
com menos fôlego e um dia mais perto da morte. cada ano vai ficando mais curto, parece não haver tempo para nada. planos que dão em nada, ou meia página de linhas
rabiscadas. esperar em quieto desespero. o tempo se foi, pensei que eu tivesse algo mais a dizer. em casa, em casa de novo, eu gosto de ficar aqui quando posso. quando eu chego em casa com frio e cansado é bom aquecer meus ossos ao lado do fogo, bem longe no campo. o toque do sino de ferro deixa os fiéis de joelhos para ouvirem as encantos mágicos sussurrados."

um tic-tac vai marcando cada momento de um dia morto e você gasta à toa e joga no lixo as horas, descontroladamente, perambulando de um lugar para outro em sua cidade
natal esperando por alguém ou alguma coisa que te mostre o caminho. cansado de tomar banho de sol, de ficar em casa vendo a chuva, você é jovem, a vida é longa, e há tempo para desperdiçar. até que um dia você descobre que perdeu a largada. e você corre e corre atrás do sol, mas ele está se pondo, fazendo a volta para nascer outra vez atrás de você. de uma maneira relativa o sol é o mesmo, mas você está mais velho
com menos fôlego e um dia mais perto da morte. cada ano vai ficando mais curto, parece não haver tempo para nada. planos que dão em nada, ou meia página de linhas
rabiscadas. esperar em quieto desespero. o tempo se foi, pensei que eu tivesse algo mais a dizer. em casa, em casa de novo, eu gosto de ficar aqui quando posso. quando eu chego em casa com frio e cansado é bom aquecer meus ossos ao lado do fogo, bem longe no campo. o toque do sino de ferro deixa os fiéis de joelhos para ouvirem as encantos mágicos sussurrados."
quarta-feira, 28 de outubro de 2009
segunda-feira, 26 de outubro de 2009
TEORIA x PRÁTICA

Os venenos da mente são divididos em três categorias principais:
I) apego ou desejo - prisão física ou psiquica a pessoas, objetos e fenômenos.
II) raiva - não querer, rejeitar, afastar algo de você.
III) ignorância - não ter uma noção clara da vida, não compreender o significado das coisas que te rodeiam.
os venenos da mente agem de maneira interdependente. quando não temos uma visão clara do que nos rodeia, nos apegamos a certas coisas que, quando não as conseguimos, criamos aversão e ficamos com raiva. esses venenos agem como toxinas, criando energias mentais negativas. tais energias são expressas em palavras, ações e pensamentos, causando um sofrimento cíclico em cadeia que se repete infinitamente.
Mantra das 100 sílabas da mente admantina
Om Benza Sato Samaya /
Manupalaya /
Benza Sato Tenopa /
Tishta Dri Do Me Bhawa /
Suto Kayo Me Bhawa /
Anurakto Me Bhawa /
Supo Kayo Me Bhawa /
Sarwa Siddhi Memtrayatsa /
Sarwa Karma Sutsa Me /
Tsitam Shri Ya Kuru Hung /
Ha Ha Ha Ha Ho Bhagawaen /
Sarwa Tathagata /
Benza Ma Me Muntsa Benzi Bhawa Maha Samaya Sato Ah.
(ajuda a dissolver os venenos da mente)
veja: o mundo de mantraman, nos favoritos.
NON SENSE
- quem matou ela?
FODA-SE QUEM MATOU O QUE IMPORTA É QUE ELA MORREU!
eu esgoelava isso, mas não adiantou, as paredes são ocas e eu montada no cavalo metálico do rock n roll, inalando o terremoto do sol, constantemente, sem alivio nunca. é a era da velocidade e a musica da cidade é elétrica, assim como a karne. e a karne explode para si mesma, em kakos koloridos.
a desconcentração de tudo atinge a cerne da minha ânima. o rock da desintegração inaugura novos níveis de comunicação! a música é a maior demo-cracia que já existiu pelo sistema solar. desencadeadora de verdadeiras convulsões sexuais, da mente, da alma e de todos os espíritos santos. a simultaneidade das relações atingiram seu ápice e nada mais é relativo, nem os apelos (eu diria - muito menos)!
tic-tac
FODA-SE QUEM MATOU O QUE IMPORTA É QUE ELA MORREU!
eu esgoelava isso, mas não adiantou, as paredes são ocas e eu montada no cavalo metálico do rock n roll, inalando o terremoto do sol, constantemente, sem alivio nunca. é a era da velocidade e a musica da cidade é elétrica, assim como a karne. e a karne explode para si mesma, em kakos koloridos.
a desconcentração de tudo atinge a cerne da minha ânima. o rock da desintegração inaugura novos níveis de comunicação! a música é a maior demo-cracia que já existiu pelo sistema solar. desencadeadora de verdadeiras convulsões sexuais, da mente, da alma e de todos os espíritos santos. a simultaneidade das relações atingiram seu ápice e nada mais é relativo, nem os apelos (eu diria - muito menos)!
tic-tac
segunda-feira, 19 de outubro de 2009
ESTÃO CHEGANDO...
é, a música do meu pesadelo é estão chegandooo os calculistaaas
os calculistas esão chegandooooo
cheguei à essa conclusão hoje, exatamente às quatro e quinze da tarde, quando olhei para o relógio do ceééu. calculistas são o lixo humano, não se pode conviver com eles. aaai eu tenho nojo deles! nojo! acho que vou formar um grupo de maledicência para aloprar essa raça suja. é difícil mesmo hoje em dia achar algum lugar onde eu possa fumar meu cigarro em paz e ouvir um arranhão de guitarra sem tomar uma facada. isso me deixa louca, essa insegurança toda, desconfiança... veja só, eu estava a fumar uns picas com os meus na praia e sabe como é aqui é o CREME né e em santos a galere é consciente disso, lá é o CRIME. sem kaô desnecessário. num é que a noia da vez foi: DISFARCE??????????????? disfarce é uma bela puta que te pariu, eu cansei desse fluxuz intenso sabe, não tô afim mais dessa falação toda, mas que merda! vou pegar cada escrito teu e analisar frase por frase, frase por frase, fra-se-por-fra-se e ver os sentidos que saeeeeeeeeeeeeeem, aaaaaaah aquele anel formado!!!! aquele anel formadooo!!! legal né, legal, muito legal, agora me explica como que faz pra chegar naquela rua que eu me esqueci o nome, já que o sentido pertence a ti e não a mim. e sabe, lá estava eu de novo naquele lugar verde. porra luiza, tu não tem uma descrição melhor não? um lugar verde. é, lá é um lugar verde pra mim, se você quiser eu arrumo outros - castelinho de pedra, feudo ideológico, prisão, playgraund, oráculo, prostíbulo, sanatório, galeria, templo... foda-se. não sabia o que ainda me prendia lá além da nicotina. vício é uma merda, mas eu gosto tanto. você pode se viciar em certas coisas e estar em certos lugares SÓ apegado a ELAS. tipo, pratique o desapego se viciando, faz tooodo o sentido. mas nada disso importa á, vou abrir a porta á, pra você entrar, beijarminhabcaatémematardeamor.

de acordo com a vanguarda CUBISTASSURREALISTA:
adota-se uma escrita automática onde o que se valoriza é a reprodução direta das imagens aleatórias que surgem na mente de quem escreve, manifestando a arte inconsciente. [rel]ação direta (gozei!) entre Pensamento&Palavra, sem a barreira da racionalidade. fornece-se uma imagem múltipla dos objetos, onde eles são colocados sobre vários pontos de vista, retratando a desintegração da realidade, por meio da simultaneidade de estórias (várias cenas antes correlatadas) e do instantaneísmo (retratos fulgazes de cenas do cotidiano). a enumeração é caótica - adota-se a descrição do ambiente a partir de uma sucessão de elementos a ele pertencentes, sem referências delineadas. rolam vários dados e quem le reconhece aquilo que tá dentro dele próprio, pouco tem a ver com quem escreve. é a desvinculação enunciador-enunciado, é a tranvalorização fluída dos valores. a la jaques derrida, ja expliquei isso...
domingo, 18 de outubro de 2009
TEMPO, TEMPO, TEMPO, TEMPO
certos esclarecimentos jamais sairão da conversa paralela daqueles olhos repetidos e desesperados. aliás, vejamos que os cantos continuam cheios de conversas, digníssimo eu diria, já que a gente não consegue finalizar ou concluir nenhuma das nossas, de jeito nenhum... eu só queria dizer que a minha desordem vem do desespero. a minha desordem vem como súplica, como desejo, como busca incessante e como paixão muitas vezes. a gente buscou esclarecimento nas noites insones e só achou sonhos. quem sabe um dia você tenha acordado sem me avisar? não sei... eu não queria ter acordado, mas não teve jeito... perdi meu celular, não tenho como me despertar [ó céus]. é, mas então, a vida passa. e você bagunçou tudo e eu não tenho nada pra colocar no lugar das suas ideologias perdidas, quebradas, mutantes!!! eu não tenho nada!!! desculpa, quem sabe a próxima venha como oração. afinal, aos messiânicos tudo é pussiver... e dá-lhe leonardo boff [a águia e a galinha] e paulo freire...
esse negócio de pedagogia, mêo, ai... TÔ DE BOA.
esse negócio de pedagogia, mêo, ai... TÔ DE BOA.
domingo, 4 de outubro de 2009
este post é uma heresia à sabedoria.
Você tem o seu e eu não tenho nenhum.
Eu não tenho nada pra colocar no lugar.
Onde está a grandeza e o poder do meu enfoque?
Repito: Eu não tenho nada pra colocar no lugar.
"A única coisa que pode haver para substituir é a Louca Sabedoria. A mente é poderosa. Todos têm mente. Não interessa eles ou ele, eles e ele, nada disso."
(poizé)
uma vez eu acordei e um pombo mensageiro me disse que meus dias estavam contados. e ele me disse isso ainda lambendo meus ouvidos. depois disso eu nunca mais dormi sem fechar as janelas dos fundos. ou sem cobrir meu ponto fraco. lapsos de consciência podem ser letais. E realmente o foram: desde então eu conto os meus dias. já se passaram 675 desde o acontecido. eu só lembro de 576. qualquer semelhança não é mera coincidência. é só ironia do destino. do destino traçado pelos senhores do destino. maior honra, mêo. dá até novela da globo! só trocar pro feminino...
Eu não tenho nada pra colocar no lugar.
Onde está a grandeza e o poder do meu enfoque?
Repito: Eu não tenho nada pra colocar no lugar.
"A única coisa que pode haver para substituir é a Louca Sabedoria. A mente é poderosa. Todos têm mente. Não interessa eles ou ele, eles e ele, nada disso."
(poizé)
uma vez eu acordei e um pombo mensageiro me disse que meus dias estavam contados. e ele me disse isso ainda lambendo meus ouvidos. depois disso eu nunca mais dormi sem fechar as janelas dos fundos. ou sem cobrir meu ponto fraco. lapsos de consciência podem ser letais. E realmente o foram: desde então eu conto os meus dias. já se passaram 675 desde o acontecido. eu só lembro de 576. qualquer semelhança não é mera coincidência. é só ironia do destino. do destino traçado pelos senhores do destino. maior honra, mêo. dá até novela da globo! só trocar pro feminino...
sábado, 3 de outubro de 2009
METALINGUAGEM
minha poesia
não é de prática
minha poesia vem
do vento
lá de dentro
tocando o advento
minha poesia não é
um coro
tão pouco espera receber
louro
minha poesia vem do meu
devaneio mais
louco
sem jogo, sem cara ou coroa ou
lado inverso
apenas dá as caras quando
brota sem lugar algum
vem como súplica
como ferimento
ou um adeus,
meu alimento
me faz escuro
me faz claro
me faz sentimento
me faz sentidor
minha poesia canta
minha poesia lança
dança, pega, mata e come
chora, grita, corre,
adoece e morre.
minha poesia flore
até aqueles lá
mais distantes
meus domínios indomáveis
fere e adere
a todos os meus sentidos
antes esquecidos
minha poesia fura o verso
cai do baixo
sai do faixo
baixio das bestas
sente saudade
dos meus contos,
dos meus cantos,
dos meus encantos
antes esquecidos
agora enraivecidos
apodrecidos
ao meu pranto parecidos
minhas tristezas, minhas avarezas
todas as minhas correntezas
pudera
minha poesia
é meu cárcere
é meu cálice
é também meu cale-se
minha poesia
é meu ar
é meu mar
de se armar
de amor
de dor
ou ardor
minha poesia
aquela lá que me libertou
do chão me tirou
comigo para longe voou
até aterrizar
devolta a ela mesma
minha poesia é meu lar
que a cada amanhecer
me faz órfã
a fim de que eu a encontre
e nos seus braços possa
correr e
morrer
viver, esquecer
libertá-la para, junto com ela
parar e
saltar
"num altar
onde a gente celebre
tudo o que se consentiu"
minha poesia tão pouco
busca o verso certo
ou espera encontrar
a paz depois de escrita
minha poesia tem vida própria
prosopopéia lírica
sai de mim
na hora em que pra ela alvorece
passeia por aí e
até me esquece
mas ela sempre volta.
a gente sempre torna
aos braços
uma da outra
como se então não houvesse
desencontro
desencanto
desalento
minha poesia não é minha
mnha poesia é da espera
por ela mesma
minha poesia é dela própria
e eu que sou sua eterna apaixonada
tantas vezes traída
muitas mais amada
minha poesia nunca teve dono
minha poesia é inquieta
sai de mim na hora que
ela mesmo quer
e encontra logo algo onde
possa então se realizar
e sua realização é simples:
é apenas sua existência
ela basta-se por si só
é por isso que
não encontra resistência
mas, haja paciência!
quando ela some
as horas me corroem
os tempos me enlouquecem
os soares me ensurdecem
meus dizeres me calam
é minha grande agonia
afoita ou desesperada
não adianta em nada
ela só aparece quando quer
só ressoa onde der
não importando o que se fizer.
não é de prática
minha poesia vem
do vento
lá de dentro
tocando o advento
minha poesia não é
um coro
tão pouco espera receber
louro
minha poesia vem do meu
devaneio mais
louco
sem jogo, sem cara ou coroa ou
lado inverso
apenas dá as caras quando
brota sem lugar algum
vem como súplica
como ferimento
ou um adeus,
meu alimento
me faz escuro
me faz claro
me faz sentimento
me faz sentidor
minha poesia canta
minha poesia lança
dança, pega, mata e come
chora, grita, corre,
adoece e morre.
minha poesia flore
até aqueles lá
mais distantes
meus domínios indomáveis
fere e adere
a todos os meus sentidos
antes esquecidos
minha poesia fura o verso
cai do baixo
sai do faixo
baixio das bestas
sente saudade
dos meus contos,
dos meus cantos,
dos meus encantos
antes esquecidos
agora enraivecidos
apodrecidos
ao meu pranto parecidos
minhas tristezas, minhas avarezas
todas as minhas correntezas
pudera
minha poesia
é meu cárcere
é meu cálice
é também meu cale-se
minha poesia
é meu ar
é meu mar
de se armar
de amor
de dor
ou ardor
minha poesia
aquela lá que me libertou
do chão me tirou
comigo para longe voou
até aterrizar
devolta a ela mesma
minha poesia é meu lar
que a cada amanhecer
me faz órfã
a fim de que eu a encontre
e nos seus braços possa
correr e
morrer
viver, esquecer
libertá-la para, junto com ela
parar e
saltar
"num altar
onde a gente celebre
tudo o que se consentiu"
minha poesia tão pouco
busca o verso certo
ou espera encontrar
a paz depois de escrita
minha poesia tem vida própria
prosopopéia lírica
sai de mim
na hora em que pra ela alvorece
passeia por aí e
até me esquece
mas ela sempre volta.
a gente sempre torna
aos braços
uma da outra
como se então não houvesse
desencontro
desencanto
desalento
minha poesia não é minha
mnha poesia é da espera
por ela mesma
minha poesia é dela própria
e eu que sou sua eterna apaixonada
tantas vezes traída
muitas mais amada
minha poesia nunca teve dono
minha poesia é inquieta
sai de mim na hora que
ela mesmo quer
e encontra logo algo onde
possa então se realizar
e sua realização é simples:
é apenas sua existência
ela basta-se por si só
é por isso que
não encontra resistência
mas, haja paciência!
quando ela some
as horas me corroem
os tempos me enlouquecem
os soares me ensurdecem
meus dizeres me calam
é minha grande agonia
afoita ou desesperada
não adianta em nada
ela só aparece quando quer
só ressoa onde der
não importando o que se fizer.
nostalgic mode on
ele levantava a cabeça e ria de mim, bem baixinho.
depois abaixava os olhos (sempre baixos)
e ria pra mim, timidamente..
a mim me ensinou
tudo.
me ensinou a olhar cada vocábulo que há nas coisas
a fazer a poesia ironica e cortante
a dançar e a não abraçar qualquer imbecilidade que passe pela frente.
naquele jeito estranho, oleoso, pegajoso, bravil.
rooteza
(preconceito ideológico
é tão triste)
parece que ainda não descobriram isso.
próxima lição de vida vai para:
depois abaixava os olhos (sempre baixos)
e ria pra mim, timidamente..
a mim me ensinou
tudo.
me ensinou a olhar cada vocábulo que há nas coisas
a fazer a poesia ironica e cortante
a dançar e a não abraçar qualquer imbecilidade que passe pela frente.
naquele jeito estranho, oleoso, pegajoso, bravil.
rooteza
(preconceito ideológico
é tão triste)
parece que ainda não descobriram isso.
próxima lição de vida vai para:
O OUTRO
como decifrar pictogramas de há dez mil anos
se nem sei decifrar
minha escrita interior?
interrogo signos dúbios
e suas variações caleidoscópicas
a cada segundo de observação.
a verdade essencial
é o desconhecido que me habita
e a cada amanhecer me dá um soco.
por ele sou também observado
com carinho ou incompreensão
e assim vive-se, se ao confronto se chama viver,
unidos, impossibilitados de desligamento,
acomodados, adversos,
roídos de infernal curiosidade.
(série ? adaptando corpo do CDA
bom, viu? nada como o modernismo?
pior que é...)
se nem sei decifrar
minha escrita interior?
interrogo signos dúbios
e suas variações caleidoscópicas
a cada segundo de observação.
a verdade essencial
é o desconhecido que me habita
e a cada amanhecer me dá um soco.
por ele sou também observado
com carinho ou incompreensão
e assim vive-se, se ao confronto se chama viver,
unidos, impossibilitados de desligamento,
acomodados, adversos,
roídos de infernal curiosidade.
(série ? adaptando corpo do CDA
bom, viu? nada como o modernismo?
pior que é...)
segunda-feira, 21 de setembro de 2009
domingo, 20 de setembro de 2009
sabe quar que é o problema?
a luiza trancou verdadeiros príncipes em casarões enlamassados pensando colher amoras maduras. a luiza é tímida, a luiza é faladeira, a luiza é calada, a luiza é namoradeira. a luiza é atleta, a luiza desmaiou no carnaval, a luiza é antropóloga, a luiza é poeta, astronauta e cineasta sonora. a luiza se espititualizou em maputo, andou de elefante e acreditou caminhar sobre as nuvens do velho continente. a luiza comeu um insetinho no dia da parada gay, só porque ele comia sua castanheira preferida. a luiza passou dias salvando formiguinhas, passou horas as observando sobir pelas árvores. até que a morena dos olhos d'agua matou a formiguinha que andava pelo seio de luiza. a luiza adora as verdadeira espeluncas, a luiza é uma porca, a luiza é grossa, a luiza é um doce de pessoa. a luiza é forte, a luiza caiu, a luiza viu, a luiza não entende quando chamam ela por outro nome. a luiza aprendeu a reconhecer que não foi nada disso, a luiza come tabletes de chocolate e fuma feito um avestruz na cruz, gosta de ler jorge mautner no caminho pra aula que não existe, a luiza gosta de fumar maconha e bagunçar as idéias para ler pós-modernismo paranóiptico. a luiza era tranquila, quase pouco falava, lembrava de alguns sussurros quando de noite acordava. a luiza achou que a coisa nova na cara fosse mandinga e pedia ajuda pra são longuinho enquando batucava no samba da morte da bezerra, na casa do caralho. a luiza deu um soco na amiguinha quando tinha 11 anos, hoje, quase vinte, pra ser ridícula, não consegue acertar a voadora na cara de um marmanjo aí, enquanto sonha com a velha amiga de mesa de bar. a luiza mentia na íris dos outros, achou o romance baiano mais bonito, e lembrou dos olhos inteiramente pretos e chorou de medo, às onze e meia, voltando para casa na chuva, sozinha com a clementina. a luiza achou o coração abandonado pelo buddha uma tristeza, vibrou com a canalhice rosnando aos idiotas da objetividade: a luiza adora literatura anti-literária, a luiza é ridúla, escreveu 120 poemas e não entende nenhum deles. a luiza refletiu para a Torre de Babel na segunda pessoa do singular. a luiza quando descobriu que a subjetividade era mais enroladora que os problemas sociais ela passou a se afogar. a luiza quer mudar de vida, a luiza não se meche, a luiza tem uma barriga enorme que não a permite sair do sofá. a luiza do not be or tupi, cannot stay at home tonight cuz'the moonlight is ready to kill anyone, mothefucke. a luiza se perdeu no meio do deserto do arizona, foi resgatada por cães pastores e deixou a baía de guanabara encantada quando cantou Falsa Magra, do Mc Mascote, fazendo a conexão baixada-baixada, depois de umas tequilas luiza ficou mil grau e sonhou tocar flautinhas celestiais com seu amigo, erik, que toca harpa na casa de fundição de minas gerais, coração do brasil. a luiza prendeu a palhaça jubilada na cassamba do carro do Atobalá d'logã, às 13 horas da sex-ta feira treze, de dois mil cento e treze, no coração do maranhão. a luiza acariciou os longos cabelos pretos de um joão marmelão, a reencarnação de hermes trimegistro, que por sinal é tres vezes hermes, um grande legislador da terra das esfinges magnéticas. a luiza se internou num manicômio todo feito de grossas cortinas de veludo roxo, que permitiam-na a visão incognscível do papel da virilidade em nossas herméticas vidas futuras. a luiza comparou o cabelo cacheado daquela falta de vermelhidão ao poeta Glauco Mattoso, nosso maior expoente da podolatria no Brasil. a luiza casou com sganzerla depois da morte dele, seu noivo cadáver predileto nunca esquecera das belissimissimas pernas da ignez, linda e otima, vitima certeira do exu do corcovado ou do exu do raul. a luiza chorou quando o michael morreu e nao se despediu de sua clínica abandonada nos confins da idade da pedra, nos anos setenta antes de cristo, com seu figurino de sandálias peregrinas, vermelhas, brancas e pretas, vermelhas, brancas e pretas. a luiza descobriu que a causa disso tudo era seu ascendente em aquario, que junto com seu sol em áries formavam alguma coisa ainda não identificada, quem sabe um óvini vindo da boina daquele cachaceiro estranho e contador de histórias fúteis. a luiza descobriu que a bolacha passatempo é melhor que a fófis. a luiza acreditou em Cass quando ela enfiou o alfinete de vidro nas narinas, a luiza queria comer o Bukowski só que ele já morreu e ela sonhava em ser amiga do Álvares de Azevedo para acabar como problema do byronianismo brasileiro, a luiza sofre do mal do século e não consegue ler Goffman sem chorar incontrolavelmente. a luiza amaldiçoou a simbolização e perdeu-se nos danoninhos de maçã e nos cabelos cortados. a luiza sente falta dos negros cabelos enrorrendo-lhe a face. luiza viu a marca de poder, gata. a luiza olhou bem fundo naqueles olhos e se assustou depois de cair dentro do cachimbo do saci pererê. a luiza nunca entendeu o porquê da dualidade do menino magrelo. a luiza quase mandou uma à merda e partiu pra porrada mas achou melhor acender um cachimbo de ópio junto ao casal rimbaudverlaine, enquando tomou absinto na porta da givclub, pensando estar sob o cogumelo da fiction, africa, i like your style, the song so fucking hot n people r so fucking crazy n die there, hardera, ela se surpreendeu pelo cara com a blusa de polvo e nunca mais parou de escrever, a luiza está escrevendo há tantos dias que pensou ser essa a origem do problema. essa menina não fala nada,o que há com ela?
a luiza trancou verdadeiros príncipes em casarões enlamassados pensando colher amoras maduras. a luiza é tímida, a luiza é faladeira, a luiza é calada, a luiza é namoradeira. a luiza é atleta, a luiza desmaiou no carnaval, a luiza é antropóloga, a luiza é poeta, astronauta e cineasta sonora. a luiza se espititualizou em maputo, andou de elefante e acreditou caminhar sobre as nuvens do velho continente. a luiza comeu um insetinho no dia da parada gay, só porque ele comia sua castanheira preferida. a luiza passou dias salvando formiguinhas, passou horas as observando sobir pelas árvores. até que a morena dos olhos d'agua matou a formiguinha que andava pelo seio de luiza. a luiza adora as verdadeira espeluncas, a luiza é uma porca, a luiza é grossa, a luiza é um doce de pessoa. a luiza é forte, a luiza caiu, a luiza viu, a luiza não entende quando chamam ela por outro nome. a luiza aprendeu a reconhecer que não foi nada disso, a luiza come tabletes de chocolate e fuma feito um avestruz na cruz, gosta de ler jorge mautner no caminho pra aula que não existe, a luiza gosta de fumar maconha e bagunçar as idéias para ler pós-modernismo paranóiptico. a luiza era tranquila, quase pouco falava, lembrava de alguns sussurros quando de noite acordava. a luiza achou que a coisa nova na cara fosse mandinga e pedia ajuda pra são longuinho enquando batucava no samba da morte da bezerra, na casa do caralho. a luiza deu um soco na amiguinha quando tinha 11 anos, hoje, quase vinte, pra ser ridícula, não consegue acertar a voadora na cara de um marmanjo aí, enquanto sonha com a velha amiga de mesa de bar. a luiza mentia na íris dos outros, achou o romance baiano mais bonito, e lembrou dos olhos inteiramente pretos e chorou de medo, às onze e meia, voltando para casa na chuva, sozinha com a clementina. a luiza achou o coração abandonado pelo buddha uma tristeza, vibrou com a canalhice rosnando aos idiotas da objetividade: a luiza adora literatura anti-literária, a luiza é ridúla, escreveu 120 poemas e não entende nenhum deles. a luiza refletiu para a Torre de Babel na segunda pessoa do singular. a luiza quando descobriu que a subjetividade era mais enroladora que os problemas sociais ela passou a se afogar. a luiza quer mudar de vida, a luiza não se meche, a luiza tem uma barriga enorme que não a permite sair do sofá. a luiza do not be or tupi, cannot stay at home tonight cuz'the moonlight is ready to kill anyone, mothefucke. a luiza se perdeu no meio do deserto do arizona, foi resgatada por cães pastores e deixou a baía de guanabara encantada quando cantou Falsa Magra, do Mc Mascote, fazendo a conexão baixada-baixada, depois de umas tequilas luiza ficou mil grau e sonhou tocar flautinhas celestiais com seu amigo, erik, que toca harpa na casa de fundição de minas gerais, coração do brasil. a luiza prendeu a palhaça jubilada na cassamba do carro do Atobalá d'logã, às 13 horas da sex-ta feira treze, de dois mil cento e treze, no coração do maranhão. a luiza acariciou os longos cabelos pretos de um joão marmelão, a reencarnação de hermes trimegistro, que por sinal é tres vezes hermes, um grande legislador da terra das esfinges magnéticas. a luiza se internou num manicômio todo feito de grossas cortinas de veludo roxo, que permitiam-na a visão incognscível do papel da virilidade em nossas herméticas vidas futuras. a luiza comparou o cabelo cacheado daquela falta de vermelhidão ao poeta Glauco Mattoso, nosso maior expoente da podolatria no Brasil. a luiza casou com sganzerla depois da morte dele, seu noivo cadáver predileto nunca esquecera das belissimissimas pernas da ignez, linda e otima, vitima certeira do exu do corcovado ou do exu do raul. a luiza chorou quando o michael morreu e nao se despediu de sua clínica abandonada nos confins da idade da pedra, nos anos setenta antes de cristo, com seu figurino de sandálias peregrinas, vermelhas, brancas e pretas, vermelhas, brancas e pretas. a luiza descobriu que a causa disso tudo era seu ascendente em aquario, que junto com seu sol em áries formavam alguma coisa ainda não identificada, quem sabe um óvini vindo da boina daquele cachaceiro estranho e contador de histórias fúteis. a luiza descobriu que a bolacha passatempo é melhor que a fófis. a luiza acreditou em Cass quando ela enfiou o alfinete de vidro nas narinas, a luiza queria comer o Bukowski só que ele já morreu e ela sonhava em ser amiga do Álvares de Azevedo para acabar como problema do byronianismo brasileiro, a luiza sofre do mal do século e não consegue ler Goffman sem chorar incontrolavelmente. a luiza amaldiçoou a simbolização e perdeu-se nos danoninhos de maçã e nos cabelos cortados. a luiza sente falta dos negros cabelos enrorrendo-lhe a face. luiza viu a marca de poder, gata. a luiza olhou bem fundo naqueles olhos e se assustou depois de cair dentro do cachimbo do saci pererê. a luiza nunca entendeu o porquê da dualidade do menino magrelo. a luiza quase mandou uma à merda e partiu pra porrada mas achou melhor acender um cachimbo de ópio junto ao casal rimbaudverlaine, enquando tomou absinto na porta da givclub, pensando estar sob o cogumelo da fiction, africa, i like your style, the song so fucking hot n people r so fucking crazy n die there, hardera, ela se surpreendeu pelo cara com a blusa de polvo e nunca mais parou de escrever, a luiza está escrevendo há tantos dias que pensou ser essa a origem do problema. essa menina não fala nada,o que há com ela?
uma mulher que falou na língua das borboletas
ainda amanhecia e eu lembrava da menina que falava a língua das borboletas. ela batia seu anel na mesa, abriam-se universos diante daquele soar mais grave que o de suas unhas, amigas cósmicas, que quando atritadas soltavam um perfume noturno, que só se abria na noite, no escuro ou na ausência do feixe de luz, meu amigo de antigos amores, daqueles que saem por entre as nuvens e provocam encontros casuais do estilo "eu faria tudo para vê-lo de novo diante daquele alvorecer". e a gente andava sozinhas, na solitária companhia uma da outra, nos dando tão bem como convém ao deus e ao poeta. a gente lembrava daquele filme de início de partida, a gente sonhava, a gente cantava, na verdade eu pouco me lembrava, não sei com o que preencheram meus lápsos derradeiros de uma memória esquecida. eu o pintaria de amarelo, mas acho que meu antigo cigano de aguns poucos anos atrás jogou preto neles e assim o transformou em um quadro ridículo, digno de um porão, de um calabouço ou de um cala a boca enorme, do tamanho da enamorada butanesa que eu achei naquelas imagens esbranquiçadas de um dia atrás. e era assim: ela adormecia sem perceber, fechava os olhos de maneira triste, abaixava a cabeça e deixava seus cabelos oleosos o tomarem a cara. e escondia-se. até o dia que eu recostei meus dedos em seu queixo, levantei seu rosto e vi seus olhos. choravam silenciosos. depois acordavam afoitos, gosto muito de você leãozinho, rodopiavam e recortavam coisas por aí, sem parar pra pensar muito. depois se arrependia e chorava ao mesmo instante em que salivava. ela me faz uma falta enorme. com ela eu aprendi que quando se enfia no meio do mato, a flor morre e a gente se perde. depois daquela noite eu voltei e me atirei na cama, de bruços. recebi um bilhete estranho, que me envergonhou, ainda mais por saber do pecado em dose dupla. e é polícia ainda. e conseguia me atingir, falando a língua das borboletas, em antigos blocos de pedra. é, que nem moisés. quando eu acordei daquilo, eu caí no pesadelo? ou será que eu acordei do sonho? será que tornei a me torturar? sabe de uma coisa? os dedos que batem, a velha carne fria que não digita nada, hoje apodrece amarelada.
um amarelo manga pra nossa primeira noite de amor.
aliás, se eu pudesse voltar pras primeiras noites de amor, eu não mudaria nada. eu viveria elas novamente, quantas vezes fosse preciso, pra lembrar daquele gosto novo. cuja única definição não faria a menos diferença. e não importa o nome deles. pra mim A, pra você B, é tudo questão de metaforazinhas, não? não! pouco me importam as definições. "Se soubéssemos, não falaríamos nem tampouco pensaríamos", mas depois de mordida, essa gente vai até o talo e a gente se enrosca.
um amarelo manga pra nossa primeira noite de amor.
aliás, se eu pudesse voltar pras primeiras noites de amor, eu não mudaria nada. eu viveria elas novamente, quantas vezes fosse preciso, pra lembrar daquele gosto novo. cuja única definição não faria a menos diferença. e não importa o nome deles. pra mim A, pra você B, é tudo questão de metaforazinhas, não? não! pouco me importam as definições. "Se soubéssemos, não falaríamos nem tampouco pensaríamos", mas depois de mordida, essa gente vai até o talo e a gente se enrosca.
“A verdade e a mentira. (...) ansiosos de saber, felizes demais por ignorar, procuramos, no que é um remédio ao que não é; e no que não é, um alivio para o que é. Ora o real, ora a ilusão nos recolhe; e a alma em definitivo, não tem outros meios exceto o verdadeiro, que é sua arma – e a mentira sua armadura...”
Paul Valéry
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sábado, 19 de setembro de 2009
Eu quero ler meu nome estampado na bandeira municipal:
JOAQUIM GREGÓRIO DA SILVA MATOS GUERRA
soando por aí!
eu tenho inveja do poeta baiano
tantos antes de qualquer
familinha real
mentirinha do mal
já metia a boca no inferno
já era nosso poeta maldito
nosso maldizente querido
gregorio de matos guerra!
aqui está, meu querido
minha eterna paixão
pela sua habilidade vocabulímica e
colérica.
eu sonho com os malditos, sempre desejei os assombrosos:
JOAQUIM GREGÓRIO DA SILVA MATOS GUERRA NETO
vai ser o nome do meu neto!
espalharei por gerações
meus devaneios quinhentistas
incompreensíveis, indomáveis, amáveis, sombrios
tesos! tesos!
JOAQUIM GREGÓRIO DA SILVA MATOS GUERRA
soando por aí!
eu tenho inveja do poeta baiano
tantos antes de qualquer
familinha real
mentirinha do mal
já metia a boca no inferno
já era nosso poeta maldito
nosso maldizente querido
gregorio de matos guerra!
aqui está, meu querido
minha eterna paixão
pela sua habilidade vocabulímica e
colérica.
eu sonho com os malditos, sempre desejei os assombrosos:
JOAQUIM GREGÓRIO DA SILVA MATOS GUERRA NETO
vai ser o nome do meu neto!
espalharei por gerações
meus devaneios quinhentistas
incompreensíveis, indomáveis, amáveis, sombrios
tesos! tesos!
"Quem quer, só do querer faça vaidade,
Que quem logra em amor entendimento,
Não tem outro capricho, que a vontade."
o Mim do Eu se perdeu!
Eu não tenho identidade com o que escrito antes. Eu me perdi nos significados que brotaram de Mim. Eu me afoguei nos conceitos que transbordaram Comigo. Eu leio e não me entendo. Eu me leio e não sei quem escreveu, eu leio e não sei quem me escreveu. Eu ouço e digo que não entendeu. Eu escrevo e não sei quem disse. Eu afirmo e ainda não sei porquê interrogo. Eu não nasci pra definir. Eu nasci para traçar. Eu ainda não nasci. Eu ainda não morri. Eu ainda pensei em florir. Eu ainda queria voar. Eu ainda queria parar de acreditar. Eu queria pôr fogo nos incrédulos. Eu queria arder com os mentirosos, beijar os sinceros de olhar. Eu já estive adiantadamente à frente. Eu me ultrapassei. Hoje Eu tropeço em Mim. Hoje Eu me prendi às passadas. abri os passos. Eu nunca me vivi. Eu vivi em outras. Eu nunca me vi. Eu nunca me talhei. Eu nunca me assustei Comigo, porque Eu nunca estive ali. Eu sempre fui embora, Eu sempre vivi como quem chega de pára-quedas. minha curiosidade fugiu de Mim. minha curiosidade me passou, me mordeu. minha curiosidade sempre me pulsou, me fodeu. mas com ela foi que sempre vivi, a gente nunca se separou. hoje Eu cuspi ela no meio da Alvarenga. ela rodopiou e atingiu alguém. Eu fiquei na calçada com um pouco de pinga com mel. Eu vi ela ir embora, ela riu pra Mim. riu de Mim. Eu fechei os olhos e esqueci. eu pressenti, vivi, segui, revivi, desvivi e perdi. me perdi. me perdi de Mim. nunca liguei pra Mim. Mim sempre esteve cá e Eu lá. lá não sei onde!
"Eu nunca fui livre na minha vida. Por dentro eu sempre me persegui. Tornei-me insuportável para mim mesma."
Gozar das leis
A ironia e o humor
Não se trataria apenas de duas perversões distintas, mas de duas lógicas completamente diferentes na constituição do objeto do desejo e na relação à lei moral. Essas duas lógicas são descritas por Deleuze por meio de uma associação que se mostrará plena de consequências. Ela consiste em afirmar que, no interior do sadismo, encontramos uma lógica que o associa à ironia, isso enquanto o masoquismo seria a encarnação mais evidente do humor. A princípio, essas associações podem parecer gratuitas.
No entanto, elas consistem em dizer que uma perversão não é simplesmente a descrição de alguma forma de desvio em relação a um padrão de conduta sexual socialmente partilhado. Ela é uma maneira de distorcer uma lei moral da qual o próprio perverso reconhece a existência. Neste sentido, Deleuze poderá dizer que, dada uma lei que reconhecemos, há duas maneiras de não a seguir.
A primeira é através da ironia. Deleuze pode afirmar isso por lembrar do conceito romântico de ironia, onde este aparece como uma posição na qual o sujeito sempre está para além de seus enunciados. Enunciar uma lei de maneira irônica significa mostrar que seu enunciador não está lá onde seu dizer aponta. Esse recurso a um lugar transcendente seria uma maneira de evidenciar que sigo um princípio para além da lei que enuncio.
Todo o esforço de Deleuze no livro será mostrar como a posição de Sade [escritor francês, 1740-1814] em relação à lei moral pode ser compreendida a partir desse esquema.
A segunda seria através do humor. O humor visaria torcer a lei por meio do aprofundamento de suas consequências.
Não colocamos nenhum princípio de significação para além da lei moral. Mas os efeitos da lei são invertidos devido à possibilidade de torções nas designações: “a mais estrita aplicação da lei tem o efeito oposto a este que normalmente esperávamos (por exemplo, os golpes de chicote, longe de punir ou prevenir uma ereção, a provocam, a asseguram)”. Isto é Deleuze falando de Sacher-Masoch, este mesmo Sacher-Masoch em quem o filósofo vê uma insolência por obsequiosidade, uma revolta por submissão.
A paródia do desejo
Essa maneira de torcer a lei fará Deleuze insistir em que só podemos compreender o masoquismo por meio de conceitos como a paródia. Mas, para além da descrição de uma perversão, Deleuze age como quem acredita que por meio do humor, da paródia, da passividade simulada, abre-se uma possibilidade de desdobrar a relação com o desejo, com a lei talvez mais próxima de nossa situação contemporânea. Só não esperávamos nos descobrir todos contemporâneos de Sacher-Masoch.
V. S.
Não se trataria apenas de duas perversões distintas, mas de duas lógicas completamente diferentes na constituição do objeto do desejo e na relação à lei moral. Essas duas lógicas são descritas por Deleuze por meio de uma associação que se mostrará plena de consequências. Ela consiste em afirmar que, no interior do sadismo, encontramos uma lógica que o associa à ironia, isso enquanto o masoquismo seria a encarnação mais evidente do humor. A princípio, essas associações podem parecer gratuitas.
No entanto, elas consistem em dizer que uma perversão não é simplesmente a descrição de alguma forma de desvio em relação a um padrão de conduta sexual socialmente partilhado. Ela é uma maneira de distorcer uma lei moral da qual o próprio perverso reconhece a existência. Neste sentido, Deleuze poderá dizer que, dada uma lei que reconhecemos, há duas maneiras de não a seguir.
A primeira é através da ironia. Deleuze pode afirmar isso por lembrar do conceito romântico de ironia, onde este aparece como uma posição na qual o sujeito sempre está para além de seus enunciados. Enunciar uma lei de maneira irônica significa mostrar que seu enunciador não está lá onde seu dizer aponta. Esse recurso a um lugar transcendente seria uma maneira de evidenciar que sigo um princípio para além da lei que enuncio.
Todo o esforço de Deleuze no livro será mostrar como a posição de Sade [escritor francês, 1740-1814] em relação à lei moral pode ser compreendida a partir desse esquema.
A segunda seria através do humor. O humor visaria torcer a lei por meio do aprofundamento de suas consequências.
Não colocamos nenhum princípio de significação para além da lei moral. Mas os efeitos da lei são invertidos devido à possibilidade de torções nas designações: “a mais estrita aplicação da lei tem o efeito oposto a este que normalmente esperávamos (por exemplo, os golpes de chicote, longe de punir ou prevenir uma ereção, a provocam, a asseguram)”. Isto é Deleuze falando de Sacher-Masoch, este mesmo Sacher-Masoch em quem o filósofo vê uma insolência por obsequiosidade, uma revolta por submissão.
A paródia do desejo
Essa maneira de torcer a lei fará Deleuze insistir em que só podemos compreender o masoquismo por meio de conceitos como a paródia. Mas, para além da descrição de uma perversão, Deleuze age como quem acredita que por meio do humor, da paródia, da passividade simulada, abre-se uma possibilidade de desdobrar a relação com o desejo, com a lei talvez mais próxima de nossa situação contemporânea. Só não esperávamos nos descobrir todos contemporâneos de Sacher-Masoch.
V. S.
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